As Profecias e os Profetas
A escatologia, está cheia de autores que não tem qualquer problema em imaginar cenários, figuras compostas, teorias de conspiração, pessimismo mórbido entre outras coisas que são prejudiciais à credibilidade da igreja na sua missão de proclamar a verdade. Todos nós que de alguma forma já lemos algo sobre esta temática, conhecemos inúmeras figuras que ao longo da história, foram conotadas e apontada como sendo o “tal”, o anticristo, aquele que parece ser o mais desejado, que o próprio Cristo, o que sinceramente me parece estranho. A história mais recente é pródiga em inúmeros candidatos. Tanto em revistas da especialidade, como em artigos e até livros, alguns dos quais ainda se encontram à venda. Não posso esquecer um livro que li sobre os acontecimentos catastróficos que o “caos do ano 2000” (Y2K) iria causar a toda a terra e em como esse livro serviria de manual com instruções em como sobreviver a todos os acontecimentos desastroso. A razão porque falei deste livro, pasme-se, é que consegui adquiri-lo na livraria de uma igreja depois do referido ano. Nada do que foi previsto tinha acontecido, mas nem assim houve a decência para retirar a referida “obra” dos escaparates. Parece que o “negócio” fala mais alto que a verdade e o compromisso com a honestidade. O anticristo, tem sido, usado da mesma forma para que muitos façam dinheiro com adivinhações que se revelam erradas, mas o mais grave, é que nem ainda assim param. Aliás, se as pessoas continuam a consumir para quê tirar-lhes esta “droga” tão apetecível e necessária? Dt.18.22 “Quando o tal profeta falar em nome do Senhor, e o que disse não acontecer nem se realizar, essa palavra não procede do Senhor. Com soberba falou o tal profeta. Não tenhas temor dele.” O cristão é uma pessoa de fé, um crente, mas não um crédulo, antes pelo contrário sabe perscrutar a verdade e não se satisfaz com qualquer coisa só porque alguém usa o epíteto final “Assim diz o Senhor”. I Co.14:29 “E falem dois ou três profetas, e os outros julguem.” O Ap. Paulo ensinou a igreja a ser criteriosa e exigente quando alguém ousa falar algo que considera que recebeu de Deus. Julguem, é uma ordem! Há quem se entretenha a discutir a cessação ou não dos dons espirituais na liturgia da igreja, outros a contabilizar profecias, ainda há os que se arrogam ter recados pessoais e usar os instrumentos mais sagrados, como a pregação, oração, louvor, profecia, para os transmitir. A ordem do Apóstolo para julgar as profecias parece ficar no esquecimento ou é inibidor para os cristãos, talvez por julgar ser uma actividade que nos está vedada, mas não neste caso, pois não julgamos a pessoa, nem a intenção, mas a profecia em si. Qualquer pessoa que tenha a ousadia de prever sobre qualquer área ou matéria que Deus achou por bem ficar em abstracto, deve saber de antemão, e até desejar, que o que diz ou escreve seja julgado pela igreja, pois foi essa a orientação de Paulo. A palavra de Deus é a verdade a respeito de qualquer assunto a que se refere. Desta forma não pode de maneira nenhuma ser deturpada por interpretações apressadas ou que se provam falaciosas. A igreja, os líderes, os pastores, os que exercem funções didácticas, o crente em geral; todos devem ser exigentes e comprometidos com a verdade. Não permitir que os critérios baixem ou sejam considerados como secundários, na busca incessante da verdade para a vida dos homens em geral. A profecia e toda a abordagem às questões escatológicas devem ser tratadas com toda a seriedade e ao mesmo tempo exigência de todos. Nm11.29 “Oxalá que todo o povo do Senhor fosse profeta, que o Senhor lhes desse o seu Espírito.” Este desabafo e desejo de Moisés tem a oportunidade de hoje se cumprir na igreja, “pois o seu Espírito foi derramado sobre toda a carne.” At.2.17 no entanto isto não significa a banalização, antes pelo contrário a responsabilização. Ninguém pense que Deus permite o desleixe ou critérios menos exigentes, só porque o seu Santo Espírito agora habita no meio do seu povo. Ao contrário, devemos ser mais exigentes e criteriosos, pois quando falamos está em causa a verdade e a autoridade, pois fomos feitos arautos das boas novas que mudam a história da humanidade. A minha observação vai no sentido em que todos nos tornemos mais comprometidos com a verdade, sejamos criteriosos e forcemos quem aborda estes assuntos a responder pelas tentativas de adivinhação que saem erradas e causam mais confusão e escárnio ao evangelho. Recomendo até que se comece a exigir, tanto aos autores, como editores, a devolução do dinheiro que foi dispendido em material que se provou ser espúrio e enganoso. Está na altura da igreja elevar a sua exigência ao nível da verdade e nada menos que isso nos deve satisfazer. Bem-haja João Pedro Robalo