O Relógio da Meia-noite
Há uns meses atrás, fui surpreendido por um programa na televisão, num dos canais temáticos, que exibia um documentário sobre uma comissão sedeada nos Estados Unidos, denominada “A Comissão do Relógio da Meia-Noite”. Esta dita comissão tinha o “poder” de adiantar ou atrasar o relógio do conflito final que poria termo ao mundo actual através de uma guerra nuclear. Longe de mim não considerar os riscos reais e potenciais inerentes ao facto de países, mais “estáveis” ou não, possuírem armas de destruição massiva. No entanto, como cristão totalmente comprometido com a palavra de Deus, a Bíblia Sagrada, não deixo de me espantar com alguns cristãos (não sei se é o caso da dita comissão) que ainda pensam que o destino deste mundo está, hipoteticamente, na dependência da vontade humana. Sl.24.1 “Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e todos os que nele habitam.” Apesar de todos os danos, males e prejuízos feitos à criação pelo homem, a verdade é que nunca, em tempo algum, esta terra esteve fora do controlo de Deus. Este é um assunto que irei abordar em próximos artigos. No que hoje me quero concentrar é na ideia errada de que o “relógio de Deus” está quase a marcar a meia-noite ou que o tempo de Deus caminha para um fim (aqui conotado como “meia-noite”). A ideia, penso eu, deve ter surgido a partir da famosa parábola das dez virgens. Mt.25.6 “Mas, à meia-noite ouviu-se um grito: Aí vem o noivo, saí ao seu encontro.” No entanto, esta parábola não se está a referir à vinda de Jesus, esperança que todos aguardamos com coração reforçado de fé e ânimo, mas à necessidade de aquela geração vigiar, para que não fosse surpreendida com certos eventos para os quais Cristo queria que eles estivessem preparados para enfrentar e assim saíssem vencedores, como veio a acontecer. A Bíblia tem um padrão estabelecido e segue uma linha de orientação traçada por Deus, padrão esse que nos dá pistas suficientes para melhor entendermos as coisas, e, sobretudo, para olharmos para qualquer acontecimento através dos olhos do Espírito, e não pela perspectiva de medo que é originada no inferno. A forma de Deus “contar” é diferente, melhor e superior à nossa. Para o Pai, o dia não termina à meia-noite (tal como nós o convencionámos), mas é pela manhã que ele se conclui. Veja o padrão que a Bíblia nos oferece. Gn.1.5 “E houve tarde e manhã – o primeiro dia” Durante toda a criação, até ao sexto dia, o padrão repete-se. Vs.8,13,19,23,31 É uma diferença substancial que transporta um conceito. Deus inicia o dia com a tarde, atravessa a noite, mas tudo o que faz conclui-se com o nascer e o despontar de um novo dia, até que esteja na sua força máxima. Podemos concluir que Deus não irá terminar a sua obra suprema à meia-noite, mas fá-lo-à com o máximo de brilhantismo e claridade que só a luz do dia é capaz de transmitir. Sl.37.6 “Fará sobressair a tua rectidão como a luz, e a tua justiça como o meio-dia.” Toda a acção de Deus continua a ter esta particularidade de abrilhantar e iluminar tudo o que faz e toca. Ex.14.20 “A nuvem era escuridão para aqueles (Egípcios) e para este (Israel) esclarecia a noite” É tão interessante observar como Deus age com o seu povo fiel. A mesma circunstância é encarada de forma distinta e difere em todos os sentidos; para os incrédulos é tempo de escuridão, para os cristãos de luz. Esta é a realidade do que vivemos e alcançamos pela fé. Rm.13.12,13(a) “A noite é passada, e o dia é chegado. Andemos honestamente, como de dia” A igreja tinha a noção e o conceito divino de que viviam no dia e não a caminhar para uma “meia-noite” qualquer, antes viviam honestamente e andavam como se fosse dia. I Ts.5.5-9 “Todos vós sois filhos da luz, e filhos do dia. Nós não somos da noite, nem das trevas. Não durmamos, os que dormem, dormem de noite. Nós, porém, que somos do dia, sejamos sóbrios, revestindo-nos da couraça da fé e do amor, e tendo por capacete a esperança da salvação. Pois Deus não nos destinou para a ira” A nossa perspectiva acerca do tempo e da hora actual irá condicionar toda a capacidade e estratégia para influenciarmos a geração na qual vivemos. Por isso, passar a ideia à igreja de que estamos a minutos ou segundos da “meia-noite”, ou mesmo que temos a capacidade extraordinária de parar o “relógio” de Deus ou de atrasá-lo (como a dita comissão diz ter), é contraproducente e inibidor para o cumprimento da missão para a qual fomos chamados a cumprir. Creio que há demasiadas igrejas “adormecidas” devido a um desconhecimento claro dos tempos. Pensam estar a viver de noite, quando o dia está a despontar para eles, e, infelizmente não o apercebem. Tal como com qualquer doença, precisam da terapia certa! Os nossos tempos precisam de uma igreja que entenda que vive de dia, que as suas armas são da luz e que vence as trevas, não foge delas! II Sm.23.3-4 “Disse o Deus de Israel, a Rocha de Israel a mim me falou: Quando um justo governa sobre os homens, quando governa no temor de Deus, é como a luz da manhã ao sair do sol de uma manhã sem nuvens, como o resplendor depois da chuva que faz brotar da terra a erva.” Cristãos que vivem no dia, que agem pelo poder do Espírito Santo, que são fortes até mesmo debaixo de pressões e que confiam em Deus acima de qualquer coisa, vivem vidas prósperas que alcançam resultados; não vivem cheios de medo, nem andam confusos com os tempos e os acontecimentos. Pv.4.18 “A vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito.” Deus não tem intenção que a igreja passe por tempos de escuridão, trevas ou tempos próximos de uma “meia-noite”, mas que cada crente, cada igreja traga à vida das pessoas ao seu redor o brilho de Cristo, a luz da Vida, com uma forma de estar que transforme situações de trevas em luz. Bem-haja João Pedro Robalo